Entrevista com Esther Solano sobre os refugiados da Venezuela

Na entrevista ela responde algumas perguntas da Revista Amplitudes sobre a entrada de refugiados venezuelanos no Brasil. Entrevistamos a professora doutora Esther Solano, docente na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), no campus de Osasco na Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (EPPEN).

Anúncios

Revoluções frustradas: o antipetismo de esquerda

fora-todos

Há duas semanas escrevi aqui sobre o antipetismo como resultado de uma transformação histórica do anticomunismo, presente no Brasil desde o século XIX. Porém, nos últimos 40 anos há um fenômeno de ódio ao Partido dos Trabalhadores vindo de correntes políticas que defendem as classes trabalhadoras e populares.

Assim como o anticomunismo nasceu antes da existência de comunistas no Brasil, o antipetismo de esquerda nasceu antes do próprio PT. Veio do ódio entre militantes decorrentes dos rachas no antigo Partido Comunista Brasileiro. Durante a ditadura militar, a direção do PCB deliberou por resistir na arena institucional, tanto que, sem registro, boa parte dos seus quadros se filiou ao MDB, o partido da oposição permitida no sistema bipartidário. Alguns grupos deixaram o PCB e buscaram a luta armada, a mobilização de base, gerando  o PCdoB, o PCBR e várias correntes que tentavam se articular na guerrilha, sendo que em alguns casos até concorriam entre si. Continuar lendo “Revoluções frustradas: o antipetismo de esquerda”

O anticomunismo e a origem do antipetismo no Brasil

Antes mesmo de existirem comunistas neste lado do Atlântico, havia o anticomunismo. Data de antes das imigrações europeias que trouxeram os operários e lavradores brancos para o Brasil. Hoje ele se mistura em diversas nuances, como o “antibolivarianismo” e a vertente mais forte, que é o antipetismo de direita (o de esquerda é diferente, fica para outra hora).

As oligarquias brasileiras já temiam o trabalhador negro desde que tomou conhecimento da Revolução Haitiana (1791-1804), onde os negros quiseram liberalismo, tal qual o francês, também para a colônia centro-americana. Executaram os escravistas brancos e construíram uma república negra. Foram violentamente reprimidos pela república francesa. Desde aquela época era evidente que uma democracia burguesa num país central depende da espoliação de populações e territórios distantes.

As oligarquias brasilianas tinham um medo da população trabalhadora, mas um medo ainda sem nome. Encontraram em meados do século XIX, quando a Revolução Haitiana já era apenas lembrança. Como “fantasma” que rondava a Europa, tal qual descreveram Marx e Engels no Manifesto, o comunismo é de meados do século XIX, da década de 1840, quando os movimentos proletários europeus se organizavam contra a burguesia do velho mundo. Chegou a uma revolução vencida e reprimida militarmente, com execução de milhares de trabalhadores em todo aquele continente. Continuar lendo “O anticomunismo e a origem do antipetismo no Brasil”

O sonho intenso dos brasileiros cabe neste mundo?

Murilo Leal

Um sonho intenso é o título do mais recente documentário do diretor José Mariani, lançado em 2014. Mariani, que é também professor de Cinema e Documentário da PUC do Rio de Janeiro, já dirigira Cientistas brasileiros, sobre os físicos José Leite Lopes e Cesar Lattes e O longo amanhecer, cinebiografia do economista Celso Furtado.

Um Sonho intenso, com 1h40m de duração, foi apresentado no auditório da EPPEN em 14 de julho de 2014, com a presença do Diretor, e trata da construção, a partir do primeiro governo Vargas, do projeto de desenvolvimento nacional baseado na ampliação do mercado interno, na industrialização e na incorporação das massas trabalhadoras, discutindo seus impasses, contradições e estado atual. Coloca-se, assim, como parte do programa cinematográfico do autor, que podemos vislumbrar por sua afirmação: “Se Glauber Rocha dizia que o cinema não exclui a poesia, eu acrescento: o cinema não exclui a ciência.” De fato, os três documentários de Mariani apresentam e debatem ideias do campo da ciência, mas têm em comum, além disso, o interesse por cientistas comprometidos com um projeto de desenvolvimento nacional. Continuar lendo “O sonho intenso dos brasileiros cabe neste mundo?”

Curso de extensão: Imperialismo, fase superior do capitalismo


lenin

A Revista Amplitudes, do Departamento Multidisciplinar da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo (EPPEN/Unifesp), promove entre os dias 3 e 31 de outubro deste ano o curso de extensão “Imperialismo, fase superior do capitalismo – 100 anos da obra. As aulas, sempre às segundas-feiras, das 14h às 18h, serão realizadas no auditório do Campus Osasco: Rua Angélica, 100, Jardim das Flores, piso térreo.

O panfleto, publicado em 1916 por Lênin, é uma reflexão sobre a conjuntura do capitalismo na época em que se desenrolava a “Grande Guerra”, com a construção da hegemonia do capital financeiro nas nações onde algumas décadas antes (EUA, Inglaterra e França) havia hegemonia do capital produtivo. Adicionalmente, a revolução russa acenava seus passos que seriam dados em fevereiro, com a derrubada do czarismo e a ascensão menchevique, e a insurreição bolchevique de outubro de 1917. No livro o autor traz o conceito de imperialismo, o qual permeou diversos movimentos políticos no século que se passou à sua publicação e vem sendo resgatado no debate político internacional após a crise financeira de 2008 e as tentativas de sua superação salvando o capital fictício e produtor de juros. Continuar lendo “Curso de extensão: Imperialismo, fase superior do capitalismo”

Resenha de “Não Verás País Nenhum”

Não Verás País Nenhum, Ignácio de Loyola Brandão. Global Editora, 11a. edição, São Paulo, 1985, 357 páginas. Lançado originalmente em 1981.

capa não veras pais nenhum

Durante os anos da ditadura militar (1964-1985) a literatura brasileira produziu algumas obras muito boas sobre a condição política e social do país. E, de forma surpreendente para alguns, a partir de um ponto de vista não convencional, pela metáfora, pelo fantástico e sobretudo pela ficção científica, também chamada para este caso específico de ficção distopica.

Talvez o livro mais importante e influente tenha sido Não Verás País Nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão. Quando o escreveu, o autor já era reconhecido, tendo publicado obras importantes, inclusive, sobre aspectos da repressão, como o controverso Zero (1974), ainda hoje o seu livro de maior impacto. Também editou com sucesso a primeira versão da revista Planeta, na primeira metade dos anos 1970, quando publicava contos de ficção científica, inclusive de autores brasileiros. Vê-se, portanto, que o autor tem alguma comunicação com o gênero. Sendo assim, Não Verás País Nenhum deve interessar particularmente os leitores tradicionais do gênero. Continuar lendo “Resenha de “Não Verás País Nenhum””

Manifesto pela Legalidade Democrática e Manutenção do Estado de Direito

A área de Compreensão da Realidade Brasileira da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo, por seus professores e apoiadores que voluntária e pessoalmente subscrevem esta carta, manifesta completo e irrestrito repúdio aos movimentos de ataque ao Estado Democrático de Direito que se desenrolam, nesse momento, no Brasil.

1. Como docentes e pesquisadores, entendemos que a construção de uma sociedade justa, plural e democrática que garanta direitos civis, políticos e sociais em todo nosso processo histórico político resultou de trabalho árduo de gerações de brasileiros. Mesmo com limitações, a Constituição de 1988 é o resultado de inúmeras lutas contra forças autoritárias e ditatoriais que nossa sociedade civil não pode permitir que saiam novamente à cena criando crises, incitando e gerando a violência. Continuar lendo “Manifesto pela Legalidade Democrática e Manutenção do Estado de Direito”