Celso Furtado: o economista e a questão social

Em um seminário organizado com a finalidade de homenagear Celso Furtado, as primeiras palavras sempre vão no sentido de enfatizar a importância de sua obra para o pensamento brasileiro. Tratar da importância da obra de Celso Furtado parece mesmo redundância, porémuma redundância sempre necessária. Como historiadora, durante o processo de minha formação, meus professores e orientadores já demarcavam o fato de que , Caio Prado Jr., Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda e Celso Furtado representam a base fundante do pensamento moderno brasileiro. Nestes quatro autores se encontram sem dúvida, as explicações da formação econômico, político e sociocultural do Brasil.

Em relação à Celso Furtado podemos dizer que, nos anos 50, sua obra ousou explicar, numa perspectiva da longa–duração, o processo de formação das grandes estruturas econômico e social brasileira. Fernand Braudel, o historiador mais renomado na França nos anos 50 e 60, afirmou em relação ao livro “Formação Econômica do Brasil” que : nenhum país no mundo havia sido pensado, do ponto de vista de uma história de longa-duração e do estudo das estruturas socioeconômicas, como o Brasil havia sido estudado por Celso Furtado. Continuar lendo

Reforma Política para quê ou para quem?

Já é quase lugar comum na política brasileira o tema da reforma política. Há centenas de projetos no Congresso há anos aguardando sua vez de entrar na pauta de comissões e do plenário da Câmara e do Senado.

O assunto voltou a ganhar força a partir das manifestações populares de 2013 e também na campanha presidencial do ano passado.

Mas o que vem a ser “a mãe de todas as reformas”? Ela é mesmo assim tão importante?

Em primeiro lugar uma das maiores dificuldades é saber de que reforma política se fala. O tema é muito amplo, e cada formador de opinião ou segmento da política e da sociedade parece ter um leque de tópicos a ser modificado dentro do sistema político brasileiro.

Nesse sentido, para falar de reforma política seria preciso saber o que seria modificado e o alcance concreto destas mudanças. Mas isto não é nem um pouco claro e a partir daí o suposto consenso em torno da necessidade de alterações nas instituições políticas é perdido. Continuar lendo