Um possível controle estrangeiro de boa parte da logística nacional

Por Daniel M. Huertas

Geógrafo e professor adjunto da Unifesp, campus Osasco

Há pouco mais de um mês uma notícia de grande impacto para o sistema logístico mundial pode surtir efeitos indesejáveis no Brasil. A estadunidense FedEx anunciou a compra da holandesa TNT Express por € 4,4 bilhões (US$ 4,8 bilhões). O negócio ainda depende da aprovação de órgãos de regulação internacionais para ser concretizado, mas isso não invalida uma análise preliminar do que poderia acontecer com a logística vigente no território nacional.

É de conhecimento geral o fato de que a logística operada no Brasil é majoritariamente rodoviária – os números oficiais têm oscilado, nos últimos anos, entre 55% e 60% do total da carga transportada. Este dado, entretanto, precisa ser avaliado à luz da participação destas duas empresas no país. Vejamos. Em 1973, quando o transporte rodoviário de carga (TRC) atravessava um momento de grande crescimento e início de uma modernização empresarial, a TNT, então um grupo australiano, entrou no Brasil por meio da compra da transportadora gaúcha Transpampa. Continuar lendo

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Nós e Maria Helena

Por Claudia Moraes de Souza

Historiadora

Professora Adjunta da Unifesp-Campus Osasco

 Aquela quinta-feira, como tantas, poderia ter seguido nossa rotina, as aulas de Compreensão da Realidade Brasileira, no Campus mais recentemente formado da Unifesp em Osasco-SP. Seguir a rotina, ir repetindo ações, por vezes torna-se hábito tão arraigado que fica difícil pensar em mudar o que fazemos. As instituições educacionais, da escola infantil até a universidade, incorrem no rotineiro, criam e ratificam hábitos, que atendem suas estruturas, claro, aulas seguidas, em salas também habitualmente organizadas, um professor que fala, discursa, expõe, um aluno que ouve, presta atenção, por vezes, se expressa! Porém, não podemos nos esquecer, são hábitos, usos costumeiros, podemos fazer diferente, podemos mudá-los.

Em nossa disciplina a proposta é: sair do rotineiro. Naquela noite, mais uma vez o fizemos e Maria Helena nos motivou, nos inspirou, em uma reflexão intensa acerca da realidade brasileira e da memória nacional, e mais do que isso, nos acompanhou em uma atividade diferente, um debate qualificado, comprometido com o conhecimento de nossa história. Fomos nós, uma professora, seus alunos e uma grande mestra que, juntos, rompemos a repetição de uma aula expositiva e construímos uma possibilidade de interação didática e compartilhamento de saberes com uso das ferramentas do ensino à distância. Recebemos Maria Helena, em nossa sala de aula, sua imagem e sua voz, precisa, decidida e comprometida. Continuar lendo