Revoluções frustradas: o antipetismo de esquerda

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Há duas semanas escrevi aqui sobre o antipetismo como resultado de uma transformação histórica do anticomunismo, presente no Brasil desde o século XIX. Porém, nos últimos 40 anos há um fenômeno de ódio ao Partido dos Trabalhadores vindo de correntes políticas que defendem as classes trabalhadoras e populares.

Assim como o anticomunismo nasceu antes da existência de comunistas no Brasil, o antipetismo de esquerda nasceu antes do próprio PT. Veio do ódio entre militantes decorrentes dos rachas no antigo Partido Comunista Brasileiro. Durante a ditadura militar, a direção do PCB deliberou por resistir na arena institucional, tanto que, sem registro, boa parte dos seus quadros se filiou ao MDB, o partido da oposição permitida no sistema bipartidário. Alguns grupos deixaram o PCB e buscaram a luta armada, a mobilização de base, gerando  o PCdoB, o PCBR e várias correntes que tentavam se articular na guerrilha, sendo que em alguns casos até concorriam entre si. Continuar lendo

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O anticomunismo e a origem do antipetismo no Brasil

Antes mesmo de existirem comunistas neste lado do Atlântico, havia o anticomunismo. Data de antes das imigrações europeias que trouxeram os operários e lavradores brancos para o Brasil. Hoje ele se mistura em diversas nuances, como o “antibolivarianismo” e a vertente mais forte, que é o antipetismo de direita (o de esquerda é diferente, fica para outra hora).

As oligarquias brasileiras já temiam o trabalhador negro desde que tomou conhecimento da Revolução Haitiana (1791-1804), onde os negros quiseram liberalismo, tal qual o francês, também para a colônia centro-americana. Executaram os escravistas brancos e construíram uma república negra. Foram violentamente reprimidos pela república francesa. Desde aquela época era evidente que uma democracia burguesa num país central depende da espoliação de populações e territórios distantes.

As oligarquias brasilianas tinham um medo da população trabalhadora, mas um medo ainda sem nome. Encontraram em meados do século XIX, quando a Revolução Haitiana já era apenas lembrança. Como “fantasma” que rondava a Europa, tal qual descreveram Marx e Engels no Manifesto, o comunismo é de meados do século XIX, da década de 1840, quando os movimentos proletários europeus se organizavam contra a burguesia do velho mundo. Chegou a uma revolução vencida e reprimida militarmente, com execução de milhares de trabalhadores em todo aquele continente. Continuar lendo