Nós e Maria Helena

Por Claudia Moraes de Souza

Historiadora

Professora Adjunta da Unifesp-Campus Osasco

 Aquela quinta-feira, como tantas, poderia ter seguido nossa rotina, as aulas de Compreensão da Realidade Brasileira, no Campus mais recentemente formado da Unifesp em Osasco-SP. Seguir a rotina, ir repetindo ações, por vezes torna-se hábito tão arraigado que fica difícil pensar em mudar o que fazemos. As instituições educacionais, da escola infantil até a universidade, incorrem no rotineiro, criam e ratificam hábitos, que atendem suas estruturas, claro, aulas seguidas, em salas também habitualmente organizadas, um professor que fala, discursa, expõe, um aluno que ouve, presta atenção, por vezes, se expressa! Porém, não podemos nos esquecer, são hábitos, usos costumeiros, podemos fazer diferente, podemos mudá-los.

Em nossa disciplina a proposta é: sair do rotineiro. Naquela noite, mais uma vez o fizemos e Maria Helena nos motivou, nos inspirou, em uma reflexão intensa acerca da realidade brasileira e da memória nacional, e mais do que isso, nos acompanhou em uma atividade diferente, um debate qualificado, comprometido com o conhecimento de nossa história. Fomos nós, uma professora, seus alunos e uma grande mestra que, juntos, rompemos a repetição de uma aula expositiva e construímos uma possibilidade de interação didática e compartilhamento de saberes com uso das ferramentas do ensino à distância. Recebemos Maria Helena, em nossa sala de aula, sua imagem e sua voz, precisa, decidida e comprometida. Continuar lendo “Nós e Maria Helena”

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Celso Furtado: o economista e a questão social

Em um seminário organizado com a finalidade de homenagear Celso Furtado, as primeiras palavras sempre vão no sentido de enfatizar a importância de sua obra para o pensamento brasileiro. Tratar da importância da obra de Celso Furtado parece mesmo redundância, porémuma redundância sempre necessária. Como historiadora, durante o processo de minha formação, meus professores e orientadores já demarcavam o fato de que , Caio Prado Jr., Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda e Celso Furtado representam a base fundante do pensamento moderno brasileiro. Nestes quatro autores se encontram sem dúvida, as explicações da formação econômico, político e sociocultural do Brasil.

Em relação à Celso Furtado podemos dizer que, nos anos 50, sua obra ousou explicar, numa perspectiva da longa–duração, o processo de formação das grandes estruturas econômico e social brasileira. Fernand Braudel, o historiador mais renomado na França nos anos 50 e 60, afirmou em relação ao livro “Formação Econômica do Brasil” que : nenhum país no mundo havia sido pensado, do ponto de vista de uma história de longa-duração e do estudo das estruturas socioeconômicas, como o Brasil havia sido estudado por Celso Furtado. Continuar lendo “Celso Furtado: o economista e a questão social”

“Um Plebiscito Popular demonstra que muitos milhões expressam sua vontade”

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Advogado Ricardo Gebrin, da Consulta Popular

Joana Tavares
Belo Horizonte (MG)

Do Jornal Brasil de Fato, 29/08/2014

Entre 1 e 7 de setembro, urnas serão montadas em todo o país e as cédulas terão uma única pergunta: “Você é a favor da convocação de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?” Chamada de “plebiscito popular”, a consulta à população tem a intenção de pressionar o Congresso Nacional para convocar um plebiscito oficial, para que possa ser possível uma transformação nas regras do jogo da política e da democracia brasileira. Nesta entrevista, o advogado Ricardo Gebrim, da Consulta Popular, uma das 400 organizações que estão construindo a atividade, explica o que pode mudar com a realização de uma reforma do sistema político. Continuar lendo ““Um Plebiscito Popular demonstra que muitos milhões expressam sua vontade””